Como é que pode aprender a viver, e ultrapassar os traumas do passado?

Desde as nossas primeiras memórias da infância, que acumulamos experiências ao longo da nossa vida. Todos nós temos algumas memórias de momentos que nos marcaram mais, normalmente as que estão associadas a emoções mais fortes.

Existem memórias que ficam gravadas por estarem associadas a emoções positivas, como aquela festa de aniversário, as brincadeiras em casa dos avós ou uma surpresa especial que nos fizeram. No entanto, também temos memórias menos positivas, com discussões dos pais, acidentes ou a perda de um ente querido. A estas más memórias que nos assombram chamamos de traumas. Estes ficam bem marcados no nosso inconsciente, e influenciam a nossa vida adulta, o nosso sucesso e o nosso estado de espírito, de formas que muitas vezes nem percebemos.

Neste texto vamos falar-lhe sobre os traumas, como os ultrapassar e como é que pode entender se uma experiência traumática o está a impedir de seguir com a sua vida para a frente.

O que são os traumas?

A palavra trauma é utilizada para descrever o resultado de um “choque” ou “impacto”. Quando batemos a nossa perna contra uma mesa, e ficamos com uma nódoa negra, chamamos a isso trauma. Quando experienciamos uma situação desagradável, e somos emocionalmente impactados por ela, chamamos-lhe um trauma psicológico.

Sempre que algum acontecimento despertou emoções tão negativas que nos tentamos distanciar delas, evitando falar no assunto, lembrar do acontecimento, ou passar por o lugar em que determinado evento aconteceu, estamos perante um trauma. Esse processo acontece, muitas das vezes, de forma inconsciente.

Quando não resolvemos traumas antigos, estas emoções ficam presas no nosso inconsciente, interferindo com os nossos padrões de humor, comportamentos e bloqueando a nossa vida. A verdade é que, enquanto não enfrentarmos as nossas experiências traumáticas, nunca iremos ser livres delas, e ficamos reféns deste passado doloroso, que nos impede de ver a vida com entusiasmo.

São exemplos de algumas situações que pode causar trauma:

  • O fim de um relacionamento;
  • Perda de entes queridos;
  • Assédio físico, sexual ou mental;
  • Relacionamentos abusivos;
  • Situações de humilhação;
  • Assaltos e Sequestros;
  • Abandono na infância;
  • Situações de risco de vida;
  • Mudanças drásticas, como a separação dos pais na infância;
  • Acidentes;
  • Exposição a situações extremamente difíceis, como pobreza extrema.

Como lidar com os traumas do passado?

As experiências traumáticas deixam marcas profundas na nossa vida, e podemos ter a tendência de evitar falar sobre elas, como se voltar a tocar no assunto nos pudesse fazer reviver a situação. Contudo, a única forma de nos libertarmos do trauma é justamente falar sobre ele, os sentimentos que nos provoca, as suas causas e consequências. Só assim poderemos virar a página e avançar.

Não existem fórmulas mágicas, porque cada um de nós responde a experiências traumáticas de forma diferente, e o caminho para os ultrapassar irá depender de pessoa para pessoa. Porém, em todos os casos é recomendado que procure ajuda profissional, para que possa ter um espaço seguro onde falar sobre o assunto, e descobrir os seus recursos internos para ultrapassar este sofrimento.

A par da procura de ajuda, experimente também estas técnicas:

Trabalhe a sua autoconfiança

As nossas vivencias traumaticas não nos definem, por mais que possam ter impacto nas nossas vidas. Trabalhar a sua autoestima, vai fazer com que permita espaço para que coisas boas aconteçam na sua vida, e diminui o espaço para a dor e o sofrimento.

Olhe-se ao espelho e elogie-se, tire tempo para fazer o que gosta e aprenda a conhecer os seus limites.

Não se culpe

Ninguém neste mundo merece passar por uma situação traumática, muito menos você! Se reparar bem, todos nós temos traumas, e certamente não pensaria que outra pessoa, no seu lugar, tivesse merecido passar pela mesma situação. Então, porque é que se culpa a si?

E não se deixe agarrar a ressentimentos, ou ficar presa no “Porquê eu?”. Isto porque procurar culpados, ou justificações só irá impedir que enfrente o trauma e consiga avançar com a sua vida.

Encontre um lugar seguro

É normal que se sinta fragilizado, ou triste por tudo o que aconteceu, e vai precisar de um lugar seguro onde se desconectar de tudo isso. Não se isole, e tenha uma rede de apoio de pessoas com quem possa falar sobre o assunto.

Encontre algo positivo que possa trazer algum alívio para a sua vida, como um hobby, voluntariado ou meditações.

Tome controlo sobre o seu futuro

Metas e objetivos são essenciais para que encontre uma motivação para seguir em frente. Nenhum de nós pode controlar o passado, mas podemos fazer escolhas em relação ao nosso momento presente, e ao futuro.

Encontre os seus sonhos e ambições em termos pessoais, profissionais e faça planos a curto e a longo prazo.

Quando deve pedir ajuda?

Na maioria das vezes, não conseguimos lembrar do trauma que vivenciamos porque nosso cérebro emocional cria uma barreira, um mecanismo de defesa para nos proteger. Encarar, ou reviver aquela dor é assustador, e por isso este é um mecanismo de defesa que é criado no nosso inconsciente.

Mas, como já falamos, esta atitude só agrava o problema. Ninguém pode fugir de um trauma emocional para sempre, e quer queiramos, quer não, ele vai voltar a aparecer para desestabilizar a sua vida no futuro, através de pequenos sinais.

Se estiver a sentir algum destes sintomas, procure ajuda de um psicólogo:

  • Desespero, sentimento de incompetência e impotência,
  • Incapacidade de se sentir feliz e desfrutar pequenos momentos de alegria,
  • Culpa,
  • Ansiedade e Depressão,
  • Ataques de pânico,
  • Falta de amor-próprio e autoconfiança,
  • Dificuldade em compartilhar sentimentos e pensamentos,
  • Raiva e Medo,
  • Comportamento aditivos (com substâncias químicas, álcool, jogo, comida ou compras),
  • Comportamentos Autossabotadores e Autodestrutivos,
  • Isolamento social ou Fobia social,
  • Descuido pessoal, com a alimentação ou higiene,
  • Fadiga constante,
  • Dificuldade parental e de manter um relacionamento amoroso,
  • Insônias, ou dificuldades em adormecer,
  • Falhas de memória,
  • Perda a noção do tempo com frequência,
  • Falta de concentração,
  • Pensamentos negativos,
  • Falta de desejo sexual ou contato,
  • Dificuldade em tomar decisões.

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